O Coordenador-Geral do CDTS, Carlos Medicis Morel, recebeu uma carta do Prêmio Nobel de Medicina de 2015, o japonês Satoshi Ōmura, parabenizando-o pela nomeação da nova presidente da Fiocruz, Nísia Trindade. O fato mereceu nota em uma das colunas mais importantes do país, assinada por Alcemo Góis, no jornal O Globo.
Morel foi presidente da Fundação Oswaldo Cruz entre os anos 1992 e 1997, e ao deixar o cargo, coordenou o Special Programme for Research and Training in Tropical Diseases (TDR), programa especial para pesquisa e treinamento em doenças tropicais da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Foi assim que conheci uma das figuras mais simples e impressionantes que já vi, Professor Satoshi Ōmura”, conta Morel. E acrescenta:
“Encontrei-o pela primeira vez em julho de 2000 (foto), quando fui ao Instituto Kitasato, em Tóquio, como Diretor do TDR, assinar um acordo de cooperação para a descoberta e desenvolvimento de medicamentos contra a malária. Além do Instituto de pesquisas, ele mantinha um hospital que era um verdadeiro museu, com pinturas que adquiria e disponibilizava nas paredes e corredores para que fossem apreciadas pelos pacientes. E me dizia: Hospitais não devem ser lugares tristes!”
A partir de 2004, Morel e Ōmura assinaram um acordo de colaboração que permitiu que o Instituto Kitasato enviasse à Fiocruz, em particular ao Centro de Pesquisas René Rachou, em Belo Horizonte, centenas de compostos para testes contra doenças tropicais. "Em 2012, tive a honra de publicarmos um trabalho sobre a doença que suas pesquisas foram essenciais para controle e prevenção, a oncocercose (Crump A, Morel CM, Omura S. The onchocerciasis chronicle: from the beginning to the end. Trends in Parasitology, 28(7):280–288, May 2012). Seu prêmio Nobel foi uma enorme alegria para todos que trabalham em doenças tropicais e da pobreza e que sempre admiraram a obra dele. Ficamos muito honrados e distinguidos com sua mensagem de parabéns a Nísia Trindade Lima, que demonstra a importância que dá à continuidade desta frutífera colaboração entre o Brasil e o Japão", enaltece Morel.
Leia abaixo a nota da Coluna do Alcemo Góis:
"O bioquímico japonês Satoshi Ōmura, prêmio Nobel de Medicina em 2015, enviou carta ao ex-presidente da Fiocruz Carlos Morel parabenizando o brasileiro pela nomeação, enfim, da pesquisadora Nísia Trindade Lima como nova presidente da fundação.
É que, como se sabe, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, havia nomeado não a primeira colocada na eleição promovida pela comunidade da Fiocruz, Nísia, mas a segunda, Tania Araújo-Jorge, e, após muitos protestos, Temer voltou atrás."