Nova vacina de tuberculose: oportunidade de liderança para Brasil e BRICS

CIÊNCIA HOJE

Nova vacina de tuberculose: oportunidade de liderança para Brasil e BRICS

A colaboração entre esses países, apoiada pelo financiamento do banco do grupo, pode acelerar o desenvolvimento e a implementação de vacinas mais eficazes contra a doença

 

CRÉDITO: FOTO ADOBE STOCK

A tuberculose, doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, continua sendo um problema de saúde global relevante, afetando milhões de pessoas, principalmente em países em desenvolvimento e regiões tropicais. Cerca de 46% dos novos casos e 40% de todos os óbitos associados à tuberculose estão concentrados nos países do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), o que evidencia a necessidade de abordagens colaborativas para combater a doença. 

Um elemento-chave na luta global contra a tuberculose é o desenvolvimento de vacinas mais eficazes. Atualmente, o esquema de vacinação brasileiro inclui a vacina BCG, que previne contra formas graves de tuberculose e é destinada a menores de 5 anos. Mas o impacto potencial de uma nova vacina de tuberculose no Brasil e no mundo é imenso. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma vacina para adolescentes e adultos poderia evitar de 37 a 76 milhões de novos casos e de 4,6 a 8,5 milhões de óbitos associados à doença até 2050. O desenvolvimento e a implementação dessa vacina também trazem efeitos positivos indiretos, como o fortalecimento dos sistemas de saúde, o estímulo à pesquisa científica e a promoção da cooperação internacional.

A cooperação entre os BRICS é essencial para enfrentar a tuberculose. O financiamento conjunto de projetos de pesquisa e desenvolvimento por esses países pode acelerar o processo de criação e implementação de novas vacinas contra essa doença. E o Brasil, junto com as demais nações do grupo, tem a oportunidade única de exercer uma liderança importante nesse cenário, especialmente considerando que a ex-presidente Dilma Rousseff está na presidência do Banco do BRICS.

Uma participação colaborativa entre laboratórios públicos brasileiros, o Ministério da Saúde e governos e laboratórios públicos e privados dos outros países dos BRICS é fundamental. Esses grupos investem continuamente no desenvolvimento de novas tecnologias e soluções para doenças tropicais, incluindo vacinas mais eficazes contra a tuberculose. Esses avanços são cruciais para reduzir a incidência da doença entre populações vulneráveis, como pessoas que vivem em áreas de baixa renda, indígenas, população em situação de rua, população privada de liberdade e comunidades rurais, resultando em um mundo mais saudável e equitativo para todos.

Nesse contexto, é importante destacar o papel do Brasil e de seus laboratórios públicos, como os da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Instituto Butantan, no avanço da pesquisa e do desenvolvimento de novas tecnologias. Essas instituições têm um histórico de sucesso e são reconhecidas internacionalmente por suas contribuições na área de saúde pública.

O desenvolvimento de terapias avançadas no Brasil poderia reduzir o ônus que seu elevado custo já está causando ao Sistema Único de Saúde (SUS) e ampliar o acesso a esses produtos

Além disso, a liderança do Brasil nesse processo pode fortalecer ainda mais sua posição no cenário internacional, demonstrando seu compromisso com a saúde global e a solidariedade entre os países em desenvolvimento. Ao assumir um papel proativo na luta contra a tuberculose, o Brasil pode influenciar positivamente as políticas de saúde pública e incentivar outras nações a seguir seu exemplo.

Outra estratégia que pode ser eficaz para enfrentar a tuberculose é a criação de uma plataforma de colaboração entre os BRICS, incluindo o compartilhamento de informações, recursos e experiências. Isso pode permitir a realização de pesquisas conjuntas, o treinamento de profissionais de saúde e a troca de informações sobre práticas eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

Também é fundamental que os governos dos BRICS trabalhem em estreita colaboração com organizações internacionais, como a OMS e o Fundo Global de Combate à AIDS, Tuberculose e Malária, para garantir que os esforços empreendidos sejam coordenados, eficazes e sustentáveis. Além disso, a colaboração com organizações não governamentais e a sociedade civil é crucial para que as intervenções propostas atendam às necessidades das comunidades afetadas.

Ao investir em pesquisa e desenvolvimento de vacinas contra a tuberculose, o Brasil e os BRICS podem contribuir significativamente para a redução da carga global da doença e melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas. Esses esforços podem impulsionar a inovação no campo da saúde pública, gerando novas oportunidades econômicas e fortalecendo a cooperação internacional.

 

Julio Croda
 Faculdade de Medicina, Universidade Federal do Mato Grosso do Sul 
 Fundação Oswaldo Cruz - Mato Grosso do Sul

Texto publicado originalmente na coluna 'Conexão Ciência e Saúde', na revista Ciência Hoje n.º 399.
 
 

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