A nova era da medicina personalizada no tratamento do câncer

CIÊNCIA HOJE

A nova era da medicina personalizada no tratamento do câncer

A medicina personalizada pode ser entendida como o refinamento do tratamento médico a cada indivíduo, considerando as características, necessidades e preferências de cada paciente. Essa definição foi dada em 2013 pela agência norte-americana FDA (Food and Drug Administration)

Mas o conceito de medicina personalizada não é novo. A prática da medicina sempre considerou o tratamento individual de cada paciente. Na oncologia, por exemplo, os médicos observam que os pacientes respondem de forma diferente às intervenções clínicas. O que é novo é a valorização dessa estratégia na área de ciência e tecnologia, de modo a oferecer uma nova promessa para o desenvolvimento de terapias e ferramentas que possam prever quem irá responder a um tratamento médico ou quem sofrerá efeitos negativos, além de melhorar a eficiência terapêutica.

Mas a medicina personalizada não é limitada à terapia farmacêutica. Avanços no poder computacional e nos exames de imagem estão preparando o caminho para tratamentos que consideram a genética do paciente e suas características anatômicas e fisiológicas.

Assim, especialmente na última década, o aporte tecnológico permitiu uma melhor compreensão da biologia dos tumores, bem como caracterizar seus distintos subtipos moleculares e estabelecer novas estratégias terapêuticas. Como resultado desse avanço, conhecemos hoje cerca de 200 tipos de tumores e entendemos melhor conceitos como os diferentes níveis de heterogeneidade no tumor e entre os pacientes, o que significa dizer que o tumor apresenta características fenotípicas distinguíveis, tais como morfologia celular, expressão gênica (incluindo a expressão de marcadores de superfície celular e fator de crescimento e receptores hormonais), metabolismo, motilidade e potencial angiogênico, proliferativo, imunogênico e metastático.

A descoberta dessas características tumorais culmina com o início de uma nova fase de ensaios clínicos, conhecida como ‘N-of-1 trials’. Esses estudos consideram um paciente individual como a única unidade de observação em um estudo que investiga a eficácia ou os perfis de efeitos colaterais de diferentes intervenções. A medicina personalizada requer um tipo diferente de ensaio clínico, que se concentra em respostas individuais, e não na resposta mediana da população à terapia.

O avanço no conhecimento dos tumores também permitiu o desenvolvimento de um número substancial de novas terapias aprovadas pela FDA e que apresentam resultados clínicos promissores. 

Nesse cenário da medicina personalizada, a Plataforma de Oncologia Translacional no CDTS tem especial enfoque em estabelecer novas fronteiras do conhecimento e ferramentas com aplicação clínica direta para os pacientes de câncer. Dessa forma, buscamos aplicar a medicina translacional, usando os conhecimentos produzidos nas bancadas de pesquisa para desenvolver produtos e terapias que cheguem ao leito do paciente, bem como usando o conhecimento obtido no contato com o paciente para enriquecer as pesquisas. O enfoque do grupo é desenvolver pontes que possam conectar o avanço no conhecimento sobre os tumores e a criação de novas tecnologias e estratégias inovadoras de diagnóstico, prognóstico e terapêutica.

No momento, há dois projetos principais em desenvolvimento paralelo. O primeiro busca desenvolver uma estratégia para identificação de elementos que possam ser os alvos de novas terapias para tumores de mama, fígado, próstata e ovário. Essa estratégia baseia-se na avaliação do conjunto de genes expressos de cada paciente para identificar alvos terapêuticos.

O segundo projeto do grupo tem como foco construir nanopartículas de segunda geração capazes de entregar fármacos em locais específicos do corpo – nesse caso, tumores de mama e próstata. Assim, é possível reduzir os efeitos tóxicos sobre células saudáveis.

O objetivo principal dos pesquisadores do grupo é sistematizar o estudo da medicina personalizada, de modo a permitir sua aplicação clínica e gerar o benefício direto para os pacientes.

Tatiana Martins Tilli
Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS)
Fundação Oswaldo Cruz

 

Leia Também

unblocked games premium retro bowl college best unblocked games unblocked games