Jogo digital para prevenção da febre maculosa

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A febre maculosa é uma doença ainda pouco conhecida dos brasileiros, principalmente em áreas urbanas, apesar do aumento no número de casos e nas mortes provocadas pela doença a cada ano. Para aumentar o conhecimento sobre a febre maculosa e as formas de preveni-la, está sendo desenvolvido no Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), um jogo digital que pretende abordar de modo criativo a epidemiologia da doença no Brasil em três diferentes cenários: urbano, silvestre e rural. O jogo acaba de ser contemplado no Edital de Recursos Educacionais Abertos e Recursos Comunicacionais da Vice-presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz e deve ser concluído até o fim de 2018.

Transmitida pela picada de carrapatos, a febre maculosa é uma infecção provocada pela bactéria Rickettsia rickettsii e que pode levar a complicações graves, como inflamação do cérebro, paralisia, insuficiência respiratória e insuficiência renal, colocando em risco a vida do doente. Segundo o Ministério da Saúde, 10% dos casos registrados no Brasil estão relacionados a crianças com menos de 10 anos. As complicações podem ser evitadas se o tratamento for iniciado nos primeiros dias após o surgimento dos sintomas.

O jogo vai abordar de forma lúdica e dinâmica a ecologia dos carrapatos, incluindo seu ciclo de vida e a eventual possibilidade de transmissão de agentes patógenos aos seres humanos. Segundo um dos idealizadores do jogo, o pesquisador Claudio M. Rodrigues, do CDTS/ Fiocruz, a ideia é estimular o jogador a viver como um carrapato na busca de evolução, reproduzindo o ciclo biológico de um carrapato-fêmea. O jogador precisará evoluir para diferentes estágios, buscando a manutenção da vida e de sua espécie. “Dessa forma, procuramos dar entendimento de alguns detalhes da vida desse inusitado personagem, evitando a ideia já tão batida de que os carrapatos são inimigos e devem ser eliminados”, diz Rodrigues.

Direcionado ao público infanto-juvenil, o jogo transmite a noção de que o ciclo de vida dos carrapatos é um processo que pertence à natureza e o ser humano pode se inserir nesse processo como um eventual hospedeiro. Portanto, se não estiver preparado para as situações de contato com os carrapatos, pode vir a adquirir, dentre outras doenças, a febre maculosa.

O jogo trabalha com a lógica da prevenção em situações comuns, como contatos com animais, passeios em parques, acampamentos, escotismo, visitas à fazenda, entre outros casos em que o uso de repelentes e vestimentas adequadas pode reduzir o risco de infecção. “Procuramos retratar fatos reais de forma lúdica, para que o público infanto-juvenil possa debater entre si e se observar como verdadeiro tomador de decisão, com o objetivo final de modificar condutas relacionadas à prevenção de doenças transmitidas por carrapatos”, analisa Rodrigues.

Além disso, o jogo reforça a importância do diagnóstico precoce para se atingir a cura da febre maculosa em casos de infecção. Para isso, existe dentro do jogo principal um outro jogo, que os pesquisadores chamam de ‘minigame’, em que o jogador precisa combater, na corrente circulatória de uma pessoa, os agentes bacterianos, representados pelo personagem Rick – em referência a Rickettsia, bactéria causadora da doença. A ‘arma’ usada nessa batalha são comprimidos do medicamento indicado para tratar a febre maculosa no Brasil.

Batizado de ‘Pula Carrapato’, o jogo é uma parceria do CDTS com o Laboratório de Referência para Doenças Transmitidas por Carrapatos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/ Fiocruz) e o Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente do Hospital Universitário Pedro Ernesto, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A estrutura teórica do jogo já está pronta e prevê seu uso em smartphones e computadores. Agora, com os recursos do edital da Fiocruz – que podem atingir o valor máximo de 35 mil reais –, o jogo poderá ganhar forma. Os pesquisadores estimam que o jogo esteja concluído em novembro de 2018.

Depois de pronto, o jogo será distribuído gratuitamente. Dessa forma, os pesquisadores pretendem usar a tecnologia como ferramenta para contribuir com a redução do número de casos de febre maculosa no Brasil, por meio da conscientização de jovens sobre a doença e os riscos da exposição a carrapatos.

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